terça-feira, julho 07, 2009

in MadeinViseu/Junho

Virtudes

em tempo

de Sol

Os melhores casamentos têm por base a proverbial desconfiança. Uma gaja ligeiramente puta (reparem nesta subtileza do ‘ligeiramente’…!) tem muito mais probabilidades de manter o seu casamento ou a sua relação do que uma gaja séria, daquelas que cozinham, passam a ferro, lavam a loiça e limpam o nariz dos filhos ranhosos.

Ser puta, portanto, é um estatuto e um forte ‘currícula’. E é, sobretudo, um aviso sério e constante à navegação: se já foi puta vai voltar a sê-lo a qualquer momento e ao marido ou ao companheiro só lhes resta estar à altura do desafio (de preferência não na altura mas na horizontal) e provar que também eles podem ser bons amantes, iguais ou melhores do que os que ela cobiça lá fora.

“A virtude pode ser muito bonita, mas exala um tédio homicida e, além disso, causa úlceras imortais”, escreveu Nelson Rodrigues.

Podem os meus atentos Leitores pensar que isto é um sacrilégio da minha parte, mas, como diz o novo livro de ‘a funda São’ (vai sair a 3 de Julho), “Sacrilégio é um pecado cometido pelo sacristão de um colégio”.

Eu não sei se as mulheres dão conta disso (peço a Deus que não!), mas a verdade é que nós, os homens, olhamos sempre para as mulheres dos outros e nunca para as que temos em casa, sabe-se lá porquê este fenómeno. Ou as nossas gajas são porcas e não se lavam e arranham-nos à noite com os calcanhares calejados de peles mortas e secas ou então é mesmo a nossa mania de gostar de carne mastigada pela dentuça alheia.

Adoramos olhar para gajas com os lábios pintados de vermelho-puta e desprezamos as que os pintam de rosa-sério.

Eu não sou muito inclinado a estas coisas e quando vou ao MacDonald’s exijo sempre um hambúrguer que nunca tenha sido comido, mas acredito que nem todos somos iguais e que há quem goste do género ‘todos ao molho e fé em Deus’.

Para aqueles gajos que têm a mania das fidelidades, o melhor conselho é que comecem já a pensar no que irão fazer quando descobrirem que a gaja que têm ao lado também costuma andar ao lado de muitos outros. E não pensem que basta gritarem ‘põe-te na rua, sua puta’, porque isto, além de ser ranhoso e vulgar, adianta de pouco porque nenhuma gaja que se preze vai assim tão facilmente. Eu já experimentei várias vezes e não fui bem sucedido: há gajas que colam mais do que aquela cola que ‘até cola cientistas ao tecto’.

No entanto, nada de desanimar, porque eu desenvolvi, ao longo dos meus sucessivos infortúnios, variadíssimas técnicas e vou aqui partilhá-las com os Leitores que, em boa hora, chegaram à conclusão de que as mulheres quando nascem são para todos.

Há várias maneiras de correr com uma puta lá de casa. A melhor maneira, na minha modesta opinião, é claro, é dormir com a mãe dela. Atenção: dormir com as filhas delas não adianta de nada: já muitos experimentaram e segundo relatos fidedignos isso parece que até reforça as relações, causando apenas alguns atritos entre as gajas, por ciumeiras estúpidas, mas isso já não nos diz respeito.

Outra boa maneira é um gajo fingir que deu em ‘panilas’. Deve-se começar a falar assim tipo ‘mi sustenido’, fazer gestos de cobra com cólicas, e, de preferência, pintar o cabelo de loiro ou outra cor apaneleirada (preto não serve, porque isso é mesmo de rabeta foleiro!) e andar com a fralda da camisa cor-de-rosa de fora.

Como se sabe, foi Guido d'Arezzo, um monge italiano, que inventou o nome das notas musicais – isto para dar um ar de intelectual à crónica de hoje - o chamado sistema de ‘solmização’.

As frases iniciais do texto, que era um hino a São João Baptista, escrito por Paolo Diacono, eram:

Ut queant laxis,

Resonare fibris,

Mira gestorum,

Famuli tuorum,

Solve polluti,

Labii reatum.

Tradução: "Para que os teus servos possam cantar as maravilhas dos teus actos admiráveis, absolve as faltas dos seus lábios impuros".

Pode, portanto, inferir-se daqui que já naquele tempo havia muito gajedo a fazer trabalhos manuais e orais de joelhos enquanto ensaiavam o solfejo, mas que chamavam a isso, educadamente, ‘faltas dos lábios impuros’.

Sabe-se hoje que as que não têm os lábios impuros é que andam em falta (normalmente adoptam o estatuto de divorciadas, porque “ele só queria que eu lhe fizesse coisas porcas e eu não sou dessas”) ou então fazem parte do número das crianças acabadas de nascer na maternidade.

A propósito, levei na passada semana uma amiga minha a um leilão de antiguidades, em Lisboa, gaja burra mas com muita iniciativa, e a dado momento o leiloeiro apregoou um broche do século passado: peça raríssima, artesanato, totalmente feita à mão… Ao ouvir isto, grita a minha amiga descontrolada: ‘não comprem! é falso! é falso! toda a gente sabe que os broches não são feitos à mão’!...

Voltando às putas, que é o que interessa.

Outro truque para correr com elas é chegar a casa e dizer que a ASAE esteve lá na empresa a fiscalizar tudo e que as contas bancárias foram todas congeladas ‘sine die’. Apreenderam os carros, o barco e a casa de campo. É trigo limpo: em 90 por cento dos casos as gajas piram-se no dia seguinte!...

Se não acreditam experimentem o truque e tentem beijá-las logo a seguir. Eu já experimentei e a boca dela pareceu-me um túmulo. Abracei-a e o corpo era todo um cemitério.

Li um dia que “existem pessoas que só pensam em dinheiro, sexo e alcool... eu sou uma delas” e eu posso garantir que há muita e muita boa gaja a pensar da mesma maneira. Portanto, dado que elas têm sexo e o álcool não falta, cortem-lhes no guito e vão ver como elas dão corda aos sapatos e bazam à velocidade da luz.

No dia seguinte é só voltar a carregar espingardas e partir à caça de uma outra qualquer, sendo que o aliciante deste jogo, deste ‘começar de novo’, é a ideia consagrada de que se troca sempre por uma gaja pior que a anterior.

Se temos uma gaja gorda há-de vir uma gordíssima; se temos uma feia há-de vir uma horripilante; se temos uma puta há-de vir uma ainda mais puta (questão por solucionar: o putedo tem escala? pode ser-se pouco puta? pode estar-se pouco grávida? podemos nós andar meio-mortos?).

Um último conselho para os que são traídos(as) e também para quem trai. Bebam! Bebam muito! Bebam porque o orifício circular corrugado, localizado na parte ínfero-lombar da região glútea de um indivíduo em alto grau etílico, deixa de estar em consonância com os ditames referentes ao direito individual de propriedade. (*)

OK. Pronto. Não se fala mais nisso. Mudando de assunto. Toda a gente já ouviu falar em 69, 71 (que é assim um 69, mas com dois dedos ocupados no chamado ‘buraco negro) e até mesmo em 120 (um 69 enriquecido com uma garrafa de cachaça ‘51’, que, como é sabido, é a maior e mais importante cachaça do Brasil e do mundo). Ora, tudo isso é coisa do passado, pois a onda do momento agora é o 96! A sério! O 96 agora é o que está a dar e a causar sensação em todo o planeta. Trata-se de uma extraordinária variante do 69, mas, como a designação claramente indica, é para ser feito ao contrário, isto é, costas com costas. Cuidado ao tentar fazer a habilidade, pois para pessoas menos ginasticadas (vulgo, gajas gordas) pode ser perigoso e provocar sérios danos na coluna.

Experimentem com jeitinho e lembrem-se sempre de que "O sexo sem amor é uma experiência vazia. Mas, como experiência vazia, é uma das melhores" (Woody Allen).

(*) “Cú de bêbedo não tem dono”

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