segunda-feira, setembro 13, 2010

crepúsculo




É quando um espelho, no quarto,
se enfastia;

quando a noite se destaca
da cortina;

quando a carne tem o travo
da saliva,
e a saliva sabe a carne
dissolvida;

quando a força de vontade
ressuscita;

quando o pé sobre o sapato
se equilibra...
e quando às sete da tarde
morre o dia

- que dentro de nossas almas
se ilumina,
com luz lívida, a palavra
despedida.

(David Mourão-Ferreira, in Crepúsculo)





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