segunda-feira, outubro 06, 2008

simplicidade


Quando eu era menina sonhava, naturalmente,  com a possibilidade de ter um namorado. Seria bom  que fosse alegre e amigo.

Quando tinha 18 anos, encontrei esse garoto e namorámos. Ele era, de facto, meu amigo, mas não tinha paixão por mim.

Então percebi que precisava de um homem apaixonado, com vontade de viver, que fosse suficientemente homem para se emocionar... deveria saber emocionar-se comigo e com a vida.

Na universidade saía com um colega muito apaixonado; porém, emocional demais. Tudo era terrível: ele era o rei dos problemas, chorava o tempo todo e ameaçava suicidar-se.

Descobri então, que precisava mas era de um namorado estável.

Quando tinha 25 anos encontrei esse ser maravilhoso: muito estável, sabia o que queria da vida; porém, meu Deus, muito chato. Queria sempre as mesmas coisas, tipo dormir no mesmo lado da cama, levantar bem cedo e à mesma hora, fazer compras no sábado, cinema no domingo, bife e batatas fritas... Total e enfadonhamente previsível!... Nada na vida o excitava e penso que eu também não!...

A vida tornou-se tão triste e monótona que decidi que, afinal, eu apenas precisava de encontrar um homem que fosse excitante.

Aos 30 encontrei-o, finalmente!... Uaaaauuuuuu!!!! Um tudo de bom, brilhante, bonito, bem vestido, bem falante e excitante! só que... não consegui acompanhá-lo: ele ía de um lado para o outro, a alta velocidade, não se detinha em lugar nenhum. Cansava-me e cansei-me sem nunca o alcançar. Fazia coisas impetuosas, simpatizava e falava com qualquer uma que lhe passasse ao lado, mesmo as minhas melhores amigas o adoravam... e é claro que isso me fez sentir tão miserável, quanto feliz... No começo foi divertido e electrizante, mas rapidamente dei conta de que a nossa relação não teria futuro. 

Decidi procurar um homem com alguma ambição para com ele construir uma vida segura.

Procurei bastante, incansavelmente...

Quando cheguei aos 35, encontrei um homem inteligente, ambicioso e com os pés no chão. Apartamento próprio, casa na praia, carro importado... solteiro e sem macaquinhos na cabeça! Pensei logo em casar com ele. Mas ele era tão ambicioso tão ambicioso que rapidamente me trocou por uma gaja rica e deixou-me a ver navios.

Hoje, meus amiguinhos, depois de tudo o que passei e vivi, já com os meus 40 anos mais que feitos, rezo para encontrar apenas um homem que consiga dar uma mais ou menos bem dada - e que a queira dar comigo!...

E só o que quero!

Ah! sinto-me bem, pois descobri finalmente que não há nada como a simplicidade ...

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