Sobre um qualquer desaguisado ocorrido ainda há pouco e que motivou uma queixa na Polícia contra Filipe La Féria, o encenador fez o comentário seguinte sobre o que se teria passado:
- «Não vou falar de uma simples costureira».
Ora, meus Senhores, até que enfim vejo alguém neste país com «tomates» suficientemente grandes para tratar os bois pelos seus próprios nomes, se é que me faço entender.
«Ninguém é um herói aos olhos do seu criado» e por aí a fora, como os meus Leitores bem saberão.
Desde o «25 de Abril» que muita gente parece recear coisas tão sem importância e tão comezinhas como chamar às pessoas aquilo que elas são.
Uma costureira, que toda a vida se chamou costureira, quer agora ser chamada de estilista; uma criada de servir, que toda a vida foi chamada de criada de servir, quer agora ser chamada de administradora de assuntos domésticos ou coisa que o valha; uma cozinheira, que toda a vida foi chamada de cozinheira, quer agora ser chamada de técnica preparadora de géneros alimentícios ou outra qualquer designação igualmente estúpida e ridícula.
Ao menos, antigamente, as costureiras sabiam costurar, as criadas sabiam limpar e as cozinheiras sabiam cozinhar e por aí fora... Agora, com a treta das categorias profissionais, ficamos apenas com os «títulos» e o trabalho é melhor que sejamos nós a fazê-lo!...
... e nem resisto a lembrar que uma «Regente» do antigamente sabia mais do que uma «Doutora» dos dias de hoje. Ponto final.
Voltando ao assunto do presente «post», não está em causa se La Féria empurrou ou não a serviçal (lá iremos quando os tribunais se pronunciarem), o que interessa agora é aplaudir a frase corajosa e singular com que ele respondeu aos jornalistas.
Já agora, recordo que a megaprodução de La Féria - «Fado, a História de um Povo» - tem encantado todos os que acorrem às sessões (esgotadíssimas) no Salão Preto e Prata do Casino Estoril, desde a estreia do dia 9 último.
La Féria é o grande encenador deste tempo e de todos os tempos e seria bom que o país não tardasse a reconhecer aquilo que os portugueses já há muito reconhecem.
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