quinta-feira, agosto 20, 2009

mentirosos somos todos nós...

Robert Feldman



Quando é que nos é permitido mentir? Segundo Kant, nunca. Na medicina, prescrever placebos e mentir tem sido um lugar comum para o bem-estar do paciente. Dizer a uma mulher que não está gorda quando pode ter ultrapassado o peso médio pode igualmente ser considerado o que os norte-americanos chamam de “White lie” (mentira amigável).

Robert Feldman é um psicólogo e docente da Universidade de Massachusetts que se tem dedicado ao estudo das decepções humanas e sobre o papel que a mentira desempenha nas relações pessoais e acredita que “a honestidade é a melhor política, mas nem sempre a mais perfeita”.

O investigador do departamento de Ciências do Comportamento lançou recentemente o livro «O mentiroso na sua vida: O caminho para relações de confiança» (The Liar in Your Life: The Way to Truthful Relationships) que foca a decepção no dia-a-dia das pessoas, centrando-se na cultura de uma sociedade da mentira.

A obra baseia-se na investigação que Feldman tem levado a cabo sobre traições, infidelidade e falta de confiança e, para isso, recrutou uma larga quantidade de participantes. Os voluntários ficaram admirados ao verificarem que mentiam mais do que imaginavam após verem vídeos das suas interações.

Em entrevista à revista «Times», o psicólogo revelou que o mentiroso está quase sempre em vantagem. “Se tentarmos detectar sinais de honestidade, estamos atentos a todos os tipos de gestos e comportamentos não-verbais, mas o problema reside no fato não existir uma correlação direta entre esses comportamentos não-verbais e a honestidade. A rudeza pode estar associada à ira, distração ou tristeza e mesmo interrogadores treinados nem sempre conseguem detectar níveis de decepção”, referiu.

Feldman explica que vivemos numa sociedade onde é muito mais fácil enganar do que no passado. Durante a sua pesquisa percebeu que as pessoas raramente mostram ter remorsos quando são apanhadas a mentir e avança que “hoje, já não é visto como um comportamento repreensivo”.

Contudo, o investigador assegura que não é uma atitude “geneticamente programada”, ou seja, aprendemos a mentir. Apesar de considerar que todos nós o fazemos ninguém deixa de se decepcionar a detectar uma falsa verdade em alguém, especialmente, se for uma pessoa da nossa inteira confiança. “O nosso maior mentiroso é a pessoa que vemos diariamente ao espelho e é com ele que temos de aprender a lidar”, escreveu.

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