domingo, maio 23, 2010

tem dias

Ontem saiu-me mais uma carta fora do baralho.

Pensei que com esta idade já tivesse aprendido, mas pelos vistos ainda repito os mesmo erros de anos e anos.

Quando, às 07h da manhã, em qualquer discoteca, as gajas se arrastam como osgas coladas à parede, depois de já terem usado milhares de vezes o WC, vomitando e mijando por por quantos buracos têm no corpo, qualquer gajo minimamente inteligente deveria fugir a sete pés.

No final de uma noite de copos, até a gaja mais asseada cheira mal que tresanda, inclusive aquelas que de 5 em 5 minutos correm a pincelar os sovacos com aqueles desodorizantes impossíveis comprados no Lidle.

A cerveja, por exemplo, deixa um hálito a carne putrefacta, e beijar uma boca assim é como se estivéssemos mortos há um mês, debaixo de um sol ardente, e conseguíssemos passar a língua pelos nossos lábios apodrecidos.

As restantes bebidas são iguais ou pior, dependendo da quantidade de «shots» enfiados pelo meio, sobretudo quando elas começam a ir vomitar e voltam distraídas com bocadinhos de comida tingida de vodka nos cantos da boca.

O fedor que exalam é impossível de suportar, mais a mais misturado já com o enorme rol de outros maus cheiros, porque entretanto elas também mijam muito (algumas nem aguentam a tripa e vão defecar, mesmo sabendo que não há maneira de se lavarem no fim!) e as casas de banho ficam simplesmente impossíveis depois de centenas e centenas de (descuidadas) utilizações.

Ninguém no seu juízo perfeito deveria comer uma gaja nestas condições. Mas, pensando bem, também quem é que está no seu juízo perfeito aquelas horas da manhã?!...

As gajas que ficam até ao fim da noite são sempre as que passam o tempo a escolher o gajo que hão-de levar para a cama. Não serve qualquer um, como se calcula, não é? Tem de ser o maior gato e aquele que todas disputam. O problema delas é que escolhem tanto e com tanta cautela, são tão rigorosas e tão selectivas, que, quando se apercebem, a discoteca está a fechar e a maioria dos gajos já saiu com as outras gajas menos esquisitas e os que sobram são os bêbedos do costume que mais nenhuma outra ousou levar.

Então, por muito que custe a digerir, esses são os que ganham o totobola, pois acabam por ir parar a cama estranha, sem saber ler nem escrever, interrogando-se a si próprios, no dia seguinte, como raios é que lhe tocou aquela pita que tem sempre a mania que é a maior?!...

Temos também as chamadas 'encalhadas' (ou «gala-seca», que é um termo de que eu gosto), que são todas aquelas que por natureza não conseguem dar uma - nem mesmo no dia em que o rei faz anos ou até elas mesmo!...

São aquelas que andam sempre a dizer a toda a gente: «eu é que não quero, porque se eu quisesse...!».

Yeaa! yeaa! nós sabemos!...

Para terminar. São cinco da tarde e estou à espera que a gaja acorde para ver se consigo que ela vá dar uma voltinha até casa dela, se é que a tem. Depois disso irei chamar uma equipa de limpeza, ou talvez até de desinfestação, e ver se a minha casa volta à normalidade.

Até à próxima em que me esquecer de que não se devem trazer gajas bêbedas ao fim da noite.




PS:

Esqueci-me de uma coisa:
- Um dia elas acordam e 'descobrem' que já num abrem as pernas há meses. Para isso não há 'justificação´que sirva. Levantam-se da cama, olham-se muito fixamente no espelho, perguntam alto 'o que é que eu tenho de errado'. Entretanto envelhecem, enrugam-se todas, e começam a meter nojo quando saem à rua. Nesta altura já não conseguem segurar as lágrimas.
Chama-se a isso 'bater no fundo'.








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